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Toda doçura esta numa pétala

Toda doçura está numa pétala

Que os olhos amargurados ainda não dilaceraram

Toda inocência está num olhar

Que os corações apaixonados ainda não alvejaram

Toda beleza está num sorriso

Que os pinceis do tempo ainda não forjaram

Toda poesia está num instante

Que os poetas narcisos ainda não enxergaram.

 

Ulisses de abreu


 Tamara de Lempicka


 

Maria Gurwik-Górska, ou 'Tamara de Lempicka', nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 1898. Bela, emancipada, moderna e escandalosa, personagem das noitadas nova-iorquinas e dos salões parisienses de Arte, Tamara de Lempicka encarnou a 'folia' dos 'anos loucos' – as décadas de 20 e 30 do século passado. Sua vida e sua obra trafegaram entre os hotéis de luxo, os automóveis conversíveis, os amores bissexuais, os lazeres chic, e as amizades graúdas – D'Annunzio, Greta Garbo, Picasso, Jean Cocteau e André Gide, entre outras celebridades da época.
Eram esplendores que camuflavam o abuso de cocaína, a depressão, as dificuldades nas relações familiares e, por fim, a solidão. Após a morte do marido, em 1962, para de pintar e se muda, primeiro para Houston, no Texas, e em 1978 para Cuernavaca, no México, aonde viria a falecer, em 1980.


Tela: Tamara de Lempicka


Poema concreto

Um deslocamento de foco
Inevitável

 

Um deslumbramento precoce
Suportável

 

 

Nasci para uma prisão
E quem não nasceu?

 

E a alma?

A alma é assim como um azulejo
Preso para sempre no concreto corpo

 

De onde só se sai para o nada...

 


Ulisses de Abreu


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